Todo dia 8 de março já virou clichê. Alguém te oferece uma rosa, faz uma gentileza, abre a porta do elevador pra você, sua empresa dá de presente para todas um tratamento completo de beleza dos pés e mãos.

Mas será que essas não são formas de camuflar o real significado da data? O dia 8 de março não é apenas mais uma data comemorativa da mesma forma que fazemos no dia dos pais, crianças e dia das mães.

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A proposta do Dia Internacional da Mulher foi iniciada como uma forma de luta. Na virada do século XX, durante o processo de industrialização e expansão econômica nos Estados Unidos, as mulheres empregadas em fábricas de vestuário têxtil foram protagonistas de um protesto em 08 de março de 1857 em Nova Iorque. O protesto requeria melhores condições de trabalho e salários mais altos, já que mesmo exercendo a mesma função dos homens, elas ganhavam menos.  Algo que infelizmente, em 2015, não podemos dizer que seja diferente.

Há um mito que circula há décadas, que diz que o 8 de março foi criado em homenagem a esse grupo de operárias grevistas que foram assassinadas na fábrica, que teria sido incendiada com elas lá dentro como forma de repressão à greve. Mas ninguém pode confirmar se é lenda, ou verdade. O mito das operárias mortas incendiadas teria origem em dois acontecimentos distintos na cidade de Nova Iorque. O primeiro foi uma longa greve de costureiras, que durou de 22 de novembro de 1909 a 15 de fevereiro de 1910. O segundo ocorreu também em Nova Iorque, em 1911, quando uma fábrica de tecidos chamada Triangle Shirtwaist Factory, pegou fogo em decorrência das péssimas condições de segurança do local, matando 129 mulheres.

Nessa época muitas mulheres que trabalhavam em fábricas tinham jornadas de trabalho exaustivas e com péssimos salários. Ganhavam pouco e tinham obrigações com os maridos e com suas famílias. Muitas ainda eram obrigadas a suportar o assédio dos patrões.

Em agosto de 1910 em Copenhague, na Dinamarca, foi realizada a II Conferência Internacional das Mulheres Trabalhadoras. Nesse dia as feministas americanas apresentaram a proposta de criação de um Dia Internacional da Mulher que seria celebrado anualmente no último dia de fevereiro como um dia para lembrar as lutas e reivindicar seus direitos. O congresso aprovou a proposta, mas não definiu uma data específica para a celebração.

Organizações feministas tentaram por  anos unificar a data do dia da Mulher. Estabeleceram em 1914 a data atual, mas nem todos seguiam. A data foi novamente decidida no Congresso da 3a Internacional Socialista em 1921, mas somente em 1975, a ONU (Organização das Nações Unidas) decretou que no dia 8 de março seria considerado o Dia Internacional da Mulher. A década de 1975 a 1985 seria considerada a década da mulher.

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O dia 8 de março deveria ser uma data de reflexão sobre o papel da mulher na sociedade. Uma data para comemorar as conquistas da mulher em relação ao voto, licença maternidade, o direito ao divórcio, dentre tantas outras conquistas femininas ao longo da história. Mas também é uma data para lembrar que estamos longe de ser tratadas como iguais quando o assunto é igualdade salarial, liberdade sexual, direito de ir e vir, direito sobre o próprio corpo, cobranças estéticas e emocionais. Quando o assunto é respeito. Não queremos viver em um mundo que precisamos da lei Maria da Penha, que precisamos de vagões de metrô separados. O que a gente precisa é que homens se livrem da ideia que somos o sexo frágil e que por isso, precisamos ser protegidas e ao mesmo tempo, significa que somos fáceis de agredir, bolinar, manipular.

Use essa data como forma de mostrar sua força, seu poder. A gente não precisa de um buquê de flores. Queremos poder andar pelas ruas sem ser assediadas, queremos usar a roupa que quisermos sem ganhar nenhuma placa de estereótipo por isso, queremos ser nós mesmas sem termos que ouvir que não somos femininas o bastante ou que estamos vulgares. Queremos ser reconhecidas nos nossos trabalhos e queremos que os homens não "nos ajude" com os filhos e com a casa, mas que eles saibam que os filhos e a casa também são deles e essa responsabilidade deve ser dividida. Queremos que os homens saibam que algumas mulheres não querem casar, não querem ter filhos e algumas não querem ter um homem em suas vidas.

Não precisamos de nenhum homem que seja gentil e abra a porta do carro se ele não entende e valoriza o espaço da mulher na sociedade.

Não vamos deixar que essa data, seja um dia que as pessoas usem para dar parabéns a mulher pelo fato dela existir. Vamos sempre lembrar que é um dia de conquistas, vitórias, mas ainda sim, muita luta. Juntas, somos mais fortes.